Pesquisadores mineiros mudam o sexo das Tilápias; entenda porquê
Filés obtidos a partir de tilápias machos podem gerar cerca de 20% a 30% a mais de carne e carcaça e tem valor comercial mais alto
Pensando em aumentar ainda mais a produção de tilápias no Estado e oferecer melhores condições aos produtores, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epamig) já começou a realizar a reversão sexual das fêmeas da espécie e o melhoramento genético no Campo Experimental de Felixlândia, no Norte de Minas.
O coordenador do projeto, o zootecnista, com mestrado em Ciências dos Alimentos, e pesquisador, Alisson Meneses, explicou que foi estabelecida uma parceria-público-privada para o desenvolvimento do projeto “Produção de Alevinos e Melhoramento Genético da Tilápia Revertida Sexualmente”.
O objetivo, segundo ele, é suprir o déficit atual de 10 milhões de alevinos (peixes com poucos dias de vida) entre os piscicultores. Segundo ele, a maior parte dos produtores compra os recém-nascidos de criatórios de outros estados, o que pode não ser bom por não serem exemplares adaptados às nossas condições climáticas.
O problema do déficit ocorre porque entre os meses de maio, agosto e setembro, as fêmeas não reproduzem porque as águas apresentam temperaturas abaixo de 21ºC. Isso é ruim porque representa uma ruptura no ciclo produtivo, interrompendo o fornecimento de alevinos de qualidade e provocando uma queda no terceiro trimestre na produção de filé de tilápia.
“Para contornar essa questão, estamos trazendo genéticas do Paraná e de Santa Catarina, que já estão sendo melhoradas há 12 anos, para fazermos a replicação e a conservação do material genético aqui em Felixlândia. Nossa estimativa é produzir algo em torno de dois milhões de alevinos a mais por ano, para tentar suprir a demanda dos produtores locais”, explica Meneses.
Filés mais robustos
Mas e a mudança de sexo? Como entra nessa história? É que os filés obtidos a partir de tilápias machos podem gerar cerca de 20% a 30% a mais de rendimento do que de fêmeas, uma vez que, quando adultas, elas gastam grande parte da energia ingerida em seus sistemas reprodutores. Então, os criadores fazem uma estimulação com hormônios nos primeiros instantes de vida das peixinhas para que elas se tornem machos. ‘A interferência provoca a atrofia das gônadas femininas nas tilápias fêmeas, cujos organismos passam a se comportar como os dos machos”, detalha Alisson Meneses.
Após a reprodução dos alevinos, o próximo passo, de acordo com o pesquisador, será a instalação de um sistema de estufas em Felixlândia, para que o período reprodutivo não cesse durante o inverno. Isso permitirá a produção de novos peixes durante as entressafras. “Além disso, futuramente, estamos com a possibilidade da elaboração de uma genética própria da Epamig, por meio da importação de material da Malásia e das Filipinas”, acrescentou Meneses.
Para a realização de todos esses projetos, a estrutura da Epamig para a piscicultura em Felixlândia - banhada pela represa de Três Marias, maior polo produtor de peixes do Estado - está passando por uma grande reforma. A expectativa é que fique pronta em fevereiro de 2024.
Meneses está animado. Ele acredita que com os novos galpões será possível oferecer soluções e melhores condições de trabalho aos piscicultores.
“As perspectivas são boas. Existe uma política pública do governo federal que permite a compra da espécie para a merenda escolar e isso pode incentivar muitos produtores. Com a quantidade de espelhos d'água em nosso estado, temos potencial para ser o maior produtor de tilápia do país”.
Rações para pets, bolsas e sapatos
Segundo o pesquisador da Epamig, a tilápia é praticamente 100% aproveitada por vários segmentos do mercado. Originalmente nativa do Rio Nilo, no Egito, a espécie foi introduzida no Brasil nos anos 1950, para o controle de algas em reservatórios de usinas hidrelétricas. A temperatura e clima brasileiros favoreceram o crescimento de sua população e a espécie passou a integrar sistemas de produção intensivos em tanques-rede e suspensos.
“Hoje em dia, além do filé, a tilápia oferece vários subprodutos. Sua pele é utilizada no tratamento de queimaduras, suas vísceras e espinhas para a composição da farinha de peixe, usada na produção de rações para pets, e seu couro para confecção de bolsas e sapatos”, disse Alisson Meneses.
(*) Com informações da Epamig.
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