Câmara de BH: pedido de cassação de Gabriel Azevedo pode ser votado nesta segunda (4)
Se denúncia de Nely Aquino não for analisada nesta segunda-feira (3), caso será arquivado; esquerda busca acordo
Os vereadores de Belo Horizonte podem votar, nesta segunda-feira (4), o pedido de cassação do presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (sem partido). A sessão convocada para analisar a possível punição a ele está prevista para começar às 9h. O processo foi aberto após denúncia da deputada federal Nely Aquino (Podemos-MG), antiga aliada de Gabriel.
Caso a votação não aconteça nesta segunda, o pedido de cassação de Gabriel será arquivado. Para que ele perca o mandato, ao menos 28 dos 41 parlamentares belo-horizontinos precisam se manifestar favoravelmente à punição.
Ao reivindicar a cassação do ex-aliado, Nely o acusa de questões como agressões verbais a outros vereadores, abuso de autoridade e atuação irregular na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lagoa da Pampulha.
Gabriel é alvo, ainda, de uma segunda denúncia, apresentada pelo vereador Miltinho CGE, do PDT. O pedido de cassação apresentado pelo pedetista ainda não foi aceito. Por isso, nesta segunda, caso analisem o assunto, os parlamentares vão decidir se instauram, ou não, uma comissão para avaliar o caso.
O documento assinado por Miltinho está relacionado a uma entrevista concedida por Gabriel a uma emissora de TV em 15 de maio. À ocasião, o presidente da Câmara anunciou ter recebido um pedido de cassação do pedetista por "supostas práticas de rachadinha e nepotismo".
Em meio à possível votação da denúncia de Nely há, também, imbróglio sobre a possível convocação do suplente de Gabriel, Professor Givanildo (Patriota). O caso foi parar na Justiça — e o presidente da Casa obteve liminares que, por ora, garantem sua participação na sessão.
Esquerda tenta costurar acordo
No fim da semana passada, a bancada à esquerda da Câmara, formada por cinco vereadores, divididos entre PT, PV e Psol, anunciou voto contrário à cassação de Gabriel. O grupo chegou a defender publicamente uma renúncia de toda a Mesa Diretora da Casa a fim de uma pacificação política.
No xadrez da Câmara, além da esquerda, há três grupos. Um deles, é formado por aliados de Gabriel Azevedo, que vão votar contra a cassação dele caso o assunto chegue ao plenário.
Há, ainda, a "Família Aro", formada por vereadores ligados ao secretário de Estado da Casa Civil de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP). Essa coalizão tem, por exemplo, o vice-presidente da Casa, Juliano Lopes (Agir), que defende a cassação de Gabriel e assumiria a chefia do Legislativo em caso de punição ao colega.
Em outra frente, estão os vereadores da base aliada ao prefeito Fuad Noman, do PSD. O grupo de Aro espera que os governistas também votem pela cassação de Gabriel.
"Colocamos claramente, para o presidente da Câmara, para a base do prefeito e para o grupo do Marcelo Aro, a necessidade de a gente tentar encontrar uma saída que não passe por esse embate. Na nossa avaliação, seja qual for o resultado, todos vão sair perdendo. Se o Gabriel não for cassado, vai continuar uma oposição ferrenha que pode inviabilizar os trabalhos da Câmara. De igual modo, se Gabriel for cassado, pode continuar um embate ferrenho que também vai inviabilizar os trabalhos", disse Bruno Pedralva (PT) na sexta-feira (1°).
Wesley Moreira (PP), um dos parlamentares que pretende votar pela cassação de Gabriel, chegou a formar que o assunto não foi analisado em plenário na sexta-feira porque houve a tentativa de diálogo entre as partes.
"Belo Horizonte (está) sempre em primeiro lugar. O produto que tem sido entregue por essas guerras na Câmara não é positivo para a cidade. Se chegássemos a um denominador comum, em que a cidade saísse ganhando, não me importo de estar em uma mesa de diálogo", explicou.
Gabriel Azevedo, por sua vez, tem dito ser alvo de uma "farsa". Ele garante que os opositores não têm os votos necessários para cassá-lo.
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