Lula sobre referendo na Venezuela: 'Obviamente, vai dar o que o Maduro quer'
A Venezuela decide neste domingo (3) se apoia anexar parte da Guiana ao seu território
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, durante coletiva de imprensa, em Dubai, neste domingo (3), o referendo que acontece na Venezuela para anexar parte da Guiana. Lula não quer “confusão”, mas acredita que os venezuelanos vão aprovar a medida proposta pelo presidente Nicolás Maduro.
A Venezuela realiza neste domingo um plebiscito para decidir se apoia anexar a região de Essequibo, que pertence atualmente à Guiana, ao seu território nacional. A iniciativa aumentou as tensões políticas na América do Sul nos últimos dias.
Lula não tem muitas dúvidas sobre o resultado do referendo e prevê a aprovação da medida proposta pelo governo Maduro.
“Obviamente, que o referendo vai dar aquilo que o Maduro quer, porque é um chamamento ao povo para aumentar aquilo que ele entende que seja o território dele”, disse o presidente.
A região de Essequibo abrange uma área de 160 mil km² e representa metade do território da Guiana. Cerca de 125 mil habitantes da região também se tornaram cidadãos venezuelanos caso o referendo seja aprovado. O governo Maduro pretende criar o estado chamado de "Guiana Essequiba" para anexar a área.
Lula enfatizou que a anexação do território vai contra ao Laudo Arbitral - no qual o Brasil é signatário - que decidiu que a região de Essequibo faz parte da Guiana, que na época era controlada pelos britânicos. O processo, conduzido por um tribunal internacional, teve início em 1887 e foi assinado em Paris, em 1889.
A Venezuela não reconheceu plenamente o Laudo Arbitral e reafirmou suas reivindicações territoriais sobre a região de Essequibo, resultando em décadas de controvérsias bilaterais.
“Ele (Maduro) não acata o acordo que o Brasil já acatou. Porque não só a decisão de 1887, como uma decisão de 1965, em que houve um tratado que o Brasil aceitou. E eles agora tão dizendo que não aceitam”, afirmou Lula.
O Tratado de Genebra, assinado em 1966, estabeleceu os termos para a busca de uma solução pacífica para a controvérsia sobre a região a partir da criação de uma comissão de cinco membros para examinar a disputa territorial.
A comissão não conseguiu chegar a um acordo, e a questão permaneceu sem resolução. No entanto, o Acordo de Genebra de 1966 também continha uma cláusula que comprometia as partes a não buscar soluções unilaterais para a disputa - que é o caso do referendo proposto por Maduro.
Lula pediu bom senso ao povo a Venezuela, que decidi hoje (3) se vai apoiar a proposta. “Só tem uma coisa que o mundo não tá precisando, que a América do Sul não tá precisando, agora, (que) é de confusão”, afirmou o presidente Lula.
“Se tem uma coisa que nós precisamos para crescer e melhorar a vida do nosso povo: é a gente baixar o facho, trabalhar com muita disposição para melhorar a vida do povo e não ficar pensando em briga. Não fica inventando história. Então, eu espero que o bom senso prevaleça”, acrescentou.
“Quem não tem medo de guerra?”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também confessou o temor por uma guerra na América do Sul, ao ser questionado por um jornalista durante coletiva de imprensa nos Emirados Árabes.
“Quem que não tem medo de guerra, cara? Toda vez que vejo uma daquelas coisas explodindo na Faixa de Gaza, eu fico imaginando se fosse na minha cabeça”, disse.
Após participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), em Dubai, o presidente do Brasil disse que é uma “contradição” debater os efeitos da mudança climática enquanto outros países pensam em “guerra”.
“É uma contradição a gente fazer um encontro dessa magnitude para discutir a diminuição da emissão de gases do efeito estufa e os caras jogando bomba. É uma contradição, sabe? Então, eu acho que a humanidade deveria ter medo de guerra.”
Lula acredita que a guerra é a falência do diálogo e das negociações bilaterais. “Só (se) faz guerra quando falta o processo, quando o poder da palavra exauriu por fragilidade dos governantes. Eu acredito muito nisso: vale mais a pena uma conversa do que uma guerra”, disse.
Histórico
O território do Essequibo está em disputa entre os países desde o século XIX, quando a Guiana ainda era uma colônia britânica. Todos os governos venezuelanos reivindicaram a região ao longo do tempo e já tiveram o apoio dos EUA para tirar a terra da Inglaterra, em 1841.
A disputa pela região é histórica, mas voltou à tona após a descoberta de campos de petróleo na região, em 2015. As negociações entre a Guiana com a petrolífera norte-americana ExxonMobil para exploração dos poços foi o estopim para o conflito com a Venezuela.
As jazidas de petróleo aumentaram as reservas da Guiana em pelo menos 10 bilhões de barris, superando as de Kuwait e Emirados Árabes, e foi responsável pelo crescimento significativo do seu PIB (Produto Interno Bruto).
A Guiana se baseia em um laudo arbitral de 1899, no qual foram estabelecidas as fronteiras entre os países, para assumir a região de Essequibo.
A Venezuela, por outro lado, reivindica o Acordo de Genebra, firmado em 1966 com o Reino Unido, antes da independência da Guiana, no qual o laudo arbitral foi anulado.
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