Macron diz ser contra acordo com Mercosul; Lula diz que União Europeia 'pensa diferente'
Presidente francês criticou acordo que vinha sendo costurado entre países da América do Sul e da Europa; Lula cancela entrevista que estava marcada neste sábado (2)
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado (2), durante a COP 28, em Dubai, nos Emirados Árabes, ser contra o acordo que vem sendo negociado entre o Mercosul e a União Europeia e citou que a proposta está "mal remendada". O presidente Lula minimizou a declaração de Macron e afirmou que que o bloco europeu não pensa o mesmo que o líder francês.
“Acho que é um acordo completamente contraditório com o que ele está fazendo no Brasil e o que nós estamos fazendo. É um acordo que foi negociado há 20 anos, tentamos remendar, mas está mal remendado”, afirmou Macron.
"O acordo não leva em conta a biodiversidade e o clima dentro dele. É um acordo comercial antiquado que desmantela tarifas. Nos últimos anos, esses acordos foram melhorados. Fizemos, com as melhorias que fizemos no acordo canadense, o que fizemos com a Nova Zelândia e o Chile, por exemplo, acordos muito modernos onde o clima está no centro", continuou o presidente francês.
Entrevista cancelada
Neste sábado (2) Lula desmarcou uma entrevista coletiva que estava prevista, mas a assessoria do Palácio do Planalto negou que a decisão teve alguma relação com as falas de Macron e sim porque a sala de conferência onde aconteceria a entrevista estava com um evento atrasado e Lula tinha outro compromisso marcado.
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Ao deixar o evento neste sábado, Lula disse achar normal a França, que tem um histórico mais protecionista. Segundo presidente brasileiro é direito dos franceses ter essa posição, mas a União Europeia não pensa o mesmo.
"É um direito dele, cada país tem seu direito e sua posição. Eu acho que é um direito dele ser contra. A França sempre foi um país mais duro para fazer acordos, por ser um país mais protecionista. Não é a mesma posição da União Europeia, que pensa outra coisa", afirmou Lula.
A expectativa do governo brasileiro era que o acordo fosse fechado na semana que vem, quando ocorre a cúpula do Mercosul, no Rio de Janeiro. As divergências entre os dois blocos já vinham aumentando nos últimos dias, quando o governo argentino comunicou que não poderia assumir novos compromissos nas negociações que estavam sendo feitas.
A previsão é que Lula deixe Dubai, nos Emirados Arabes na manhã de domingo e siga para uma agenda de dois dias em Berlim, na Alemanha.
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