COP28: Lula diz que ONU não é capaz de manter a paz porque tem membros que 'lucram com a guerra'
O presidente questionou os investimentos financeiros em guerras e o impacto dos conflitos na emissão de gases de feito estufa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o 3º chefe de estado a discursar na sessão de abertura da Cúpula de Líderes da COP28, em Dubai. O petista aproveitou a Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas para alfinetar a própria ONU. Em meio a guerra entre a Russia e a Ucrânia e Hamas e Israel, que tem apoio dos Estados Unidos, Lula mandou um recado ao organismo internacional. "É inexplicável que a ONU, apesar de seus esforços, se mostre incapaz de manter a paz, simplesmente porque alguns dos seus membros lucram com a guerra", afirmou Lula.
Lula, mais uma vez, subiu o tom contra os países ricos e disse que os países pobres estão pagando a conta. "Quantos líderes mundiais estão de fato comprometidos em salvar o planeta? Somente no ano passado, o mundo gastou mais de US$ 2 trilhões e 224 milhões de dólares em armas. Quantia que poderia ser investida no combate à fome e no enfrentamento da mudança climática. O 1% mais rico do planeta emite o mesmo volume de carbono que 66% da população mundial. ", repreendeu Lula.
Ainda segundo o presidente, o Brasil está disposto a "liderar pelo exemplo". "Ajustamos nossas metas climáticas, que são hoje mais ambiciosas do que as de muitos países desenvolvidos. Reduzimos drasticamente o desmatamento na Amazônia e vamos zerá-lo até 2030. Formulamos um plano de transformação ecológica, para promover a industrialização verde, a agricultura de baixo carbono e a bioeconomia. Forjamos uma visão comum com os países amazônicos e criamos pontes com outros países detentores de florestas tropicais. O mundo já está convencido do potencial das energias renováveis. É hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis", concluiu.
Apenas cinco pessoas discursaram na sessão de cúpula da COP28, dentre elas, o presidente brasileiro que foi o quarto a falar. A abertura foi feita pelo Sheikh Mohammed bin Zayed, presidente do Emirados Árabes. Na sequência, discursaram o Secretário Geral da ONU, Antonio Guterres, e o príncipe Charles, do Reino Unido. Em 2025, o Brasil sediará a COP30, que será realizada na Amazônia. Em Dubai, o país pretende se firmar como protagonista na transição energética mundial.
No discurso desta sexta (1), lembrou que 2023 é o mais quem dos últimos 125 mil anos, que a descarbonização caminha a passos lentos e que as nações não estão cumprindo os acordos internacionais. "Em 2009, quando participei da COP15, em Copenhague, a arquitetura da Convenção do Clima estava à beira do colapso. As negociações fracassaram e foi preciso um grande esforço para recuperar a confiança e chegar ao Acordo de Paris, em 2015. Ao retornar à presidência do Brasil, constato que estamos, hoje, em situação semelhante. O não cumprimento dos compromissos assumidos corrói a credibilidade do regime. É preciso resgatar a crença no multilateralismo", avaliou.
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