Ouça a rádio

Ouvindo...

Pesquisadores da USP avistam tubarão de 518 anos, o animal mais velho do mundo

A descoberta de pesquisadores da USP foi registrada no oceano do Caribe, em aparição rara

Compartilhar

Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp
O descobrimento do tubarão nas águas do Caribe desafia os padrões da espécie em meio às mudanças climáticas

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram registrar uma aparição rara do animal mais velho do mundo: trata-se de um um tubarão-da-Groenlândia, que teria idade estimada em 518 anos. A apariação ocorreu nas águas próximas a Belize, no Caribe.

Ou seja, o tubarão nasceu por volta do ano 1505. Encontrar um animal como esse é um evento extremamente raro, seja pela sua baixa densidade demográfica e pelas dificuldades técnicas de gravação.

A primeira filmagem conhecida do tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) em seu habitat natural ocorreu em 1995. Antes desse registro, muito pouco se sabia sobre essa espécie e a as imagens representaram um avanço significativo para a compreensão dessa espécie.

Esses tubarões habitam águas frias e profundas do Ártico e subártico, tornando seu habitat remoto e muitas vezes inacessível para pesquisadores e exploradores.

Vida Longa

O tubarão-da-Groenlândia é conhecido por sua longevidade excepcional, que pode viver entre 400 e 500 anos. A espécie Somniosus microcephalus cresce muito lentamente em comparação com outros tubarões. As águas frias do ártico e a baixa taxa de reprodutividade influenciam sua longa expectativa de vida.

Estimativas indicam que a espécie somente atinge a idade reprodutiva entre 134 e 156 anos. A sua longevidade ultrapassa em muito as tartarugas de Galápagos, que vivem cerca de 100 e 150 anos. 

A estimativa da 518 anos para o tubarão foi feita através da análise de anéis de crescimento nas vértebras do tubarão, que podem ser contadas em um esquema semelhantes à contagem de anéis de árvores. Cada banda representa um período de crescimento e, assim, os cientistas podem estimar a idade do tubarão. 

O tubarão-da-Groenlândia habita águas frias e profundas do Ártico, um ambiente relativamente estável em termos de temperatura e condições que podem contribuir para a longevidade da espécie.

O predador com cerca de 5 metros de comprimento têm um metabolismo mais lento em comparação com muitos outros tubarões. Isso significa que seu corpo processa a energia de maneira mais eficiente e pode prolongar a vida sua útil.

Esses fatores resultam em uma espécie que, ao longo da evolução, desenvolveu estratégias biológicas que favorecem uma vida mais longa. Ou seja, a longevidade do tubarão-da-Groenlândia é fruto da diversidade de adaptações evolutivas encontradas no reino animal, especialmente em ambientes extremos, como o Ártico.

No entanto, o descobrimento desse animal nas águas do Caribe vai contra os padrões de distribuição histórica da espécie em meio às mudanças climáticas.

Aquecimento global

Os tubarões-da-Groenlândia prosperam nas águas geladas do Ártico, com temperaturas que variam de -1 a 10°C. A espécie, que geralmente vive ao redor da Groenlândia e da Islândia, são os únicos tubarões conhecidos por tolerar as condições árticas durante todo o ano.

No entanto, em junho de 2022, pesquisadores registraram pela primeira vez a presença desse animal fora do Ártico, surpreendentemente nas águas tropicais do Caribe. Pesquisadores da Universidade Internacional da Flórida (FIU) avistaram a espécie em Belize, no oeste do Caribe, na segunda maior barreira de corais do mundo.

A migração incomum do tubarão-da-Groenlândia para o Caribe levanta questões sobre a possível influência do aquecimento global. As mudanças nas temperaturas oceânicas em todo o mundo são um fenômeno associado às alterações climáticas e podem estar expandindo os limites tradicionais dos habitats de algumas espécies. 

As mudanças nas condições oceânicas podem também afetar a distribuição de presas, levando os tubarões a buscar novas áreas que ofereçam melhores condições alimentares.

Em alguns casos, as mudanças nas condições ambientais podem forçar as migrações de espécies marinhas para áreas não tradicionais em busca de condições mais adequadas.

*Com informações da CNN


Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular.  Clique aqui e se inscreva.

Leia Mais

Colunistas

Mais lidas do dia

Baixar o App da Itatiaia na Google Play
Baixar o App da Itatiaia na App Store

Av. Barão Homem de Melo, 2222 - Estoril Belo Horizonte, MG

T.(31)21053588