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Cruzeiro se posiciona contra homofobia no futebol

No Dia Internacional de Combate à LGBTfobia, equipe estrelada publica relato de torcedor contra a homofobia

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Cruzeiro se posiciona contra homofobia

O Cruzeiro se posicionou, nesta quarta-feira (17), por meio das redes sociais, contra a homofobia no futebol, por ocasião do Dia Internacional de Combate à LGBTfobia, celebrado em 17 de maio.

Na publicação, a equipe estrelada reforçou que é um time de todos e usou o depoimento de um torcedor que diz ter parado de frequentar o estádio por medo.

"Sou Cruzeiro desde que me entendo por gente. Em casa, na escola, na rua, as pessoas me reconheciam pelo azul e branco, no manto celeste ou na minha cara pintada. O Cruzeiro faz parte da minha história desde pequeno", começa o texto.

"No Mineirão, vi as grandes conquistas do Cabuloso: os gols de Marcelo Ramos, as defesas de Dida, o craque Alex desfilando em campo. Mas, infelizmente, hoje só acompanho o Cruzeiro na TV e na rádio. O medo e a insegurança tomaram conta durante os jogos", continua.

"Quero voltar a ver o Cruzeiro de perto, torcer junto com meus amigos, fazer a festa nas arquibancadas com a Nação Azul. As músicas e zoeiras começam como brincadeiras, mas se tornam ameaças reais. Homofobia mata, homofobia é crime! Sou Cruzeiro como você, quero torcer com liberdade e respeito", conclui o texto.

Aumento de casos no futebol brasileiro

O Anuário do Observatório do Coletivo aponta que houve 74 casos de homofobia envolvendo o futebol brasileiro em 2022. Os episódios foram registrados dentro ou fora do campo de jogo. Segundo o trabalho feiro pelo Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, houve um aumento de 76% dos casos com relação a 2021.

Recentemente, a partida entre Corinthians e São Paulo, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro, foi paralisada por cantos homofóbicos vindos da arquibancada. O episódio vai entrar no relatório sobre 2023.

“São casos que se repetem toda semana, é uma luta complexa e desafiadora. Há clubes que já detectaram isso e trabalham o tema com seus jogadores, funcionários e torcedores. Mas ainda é insuficiente. A LGBTfobia é um mal social que se alastra em todos os ambientes, em especial no futebol. Essa intolerância motivada por ódio e discriminação é profundamente violenta e deixa marcas profundas. Temos uma pesquisa de 2018 que indica que 62,5% dos LGBTQ+ brasileiros já pensaram em suicídio”, disse Onã Rudá, fundador do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+.

Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues comentou os números apontados pelo estudo.

"O trabalho mostra uma triste realidade, que estamos lutando para acabar no futebol. A CBF vai sempre combater os preconceitos e trabalhar para que o futebol seja um lugar de inclusão", afirmou.

Entre os casos registrados em 2022, estão xingamentos dentro de campo e cânticos nos estádios de futebol. Dentre os episódios, houve, inclusive, uma menina de 10 anos sendo chamada várias vezes de "machão" por se destacar em um torneio de futebol misto no Piauí.

Data de Luta contra a LGBTfobia

A divulgação do relatório é feita nesta quarta-feira (17), dia em que é celebrado o Dia Internacional Contra a LGBTfobia. No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do Código Internacional de Doenças (CID).

Ano a ano, aumenta o número de clubes que se manifestam na data importante. Em 17 de maio do ano passado, por exemplo, 66 clubes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro fizeram algum tipo de postagem nas suas redes em alusão à data e 58 não se manifestaram.


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