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Atentado em escolas: 2023 é o ano com o maior número de ataques da história

Em 2023, nove pessoas morreram e 22 ficaram feridas em ataques a instituições de ensino pelo país; número de ataques aumentou a partir de 2019

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Apenas em 2023, nove pessoas morreram e 22 ficaram feridas em ataques a escolas no Brasil

Na manhã desta segunda-feira (23), uma adolescente de 17 anos morreu em um ataque a tiros na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo. A estudante foi baleada na cabeça, chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O ataque é o nono registrado em 2023, ano com o maior número de ataques da história brasileira. Apenas neste ano, nove pessoas morreram e 22 ficaram feridas em eventos do tipo.

Segundo o levantamento "Raio-X de 20 anos de ataques a escolas no Brasil", realizado pelo Instituto da Paz, o primeiro ataque em uma instituição de ensino brasileira aconteceu em Salvador, na Bahia, em 2002. Desde então, 29 atentados em escolas fizeram 151 vítimas no país, entre fatais e não fatais. Antes considerados eventos raros, o número de ataques aumentou consideravelmente nos últimos quatro anos - 22 dos 29 já registrados, ou 75%, aconteceram a partir de 2019.

Ataque em SP é o segundo em outubro

São Paulo é o estado com o maior número de atentados. Foram oito nos últimos 20 anos. Em segundo lugar, aparecem empatados, com dois ataques, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Santa Catarina, Paraná e Goiás.

O ataque a tiros em uma escola de São Paulo, nesta segunda, é o segundo atendado do mês. Em 10 de outubro, um jovem de 14 anos esfaqueou quatro adolescentes na porta de uma escola em Poços de Caldas, no Sul de Minas. Uma das vítimas, Leonardo Willian Silva, de 15 anos, morreu.

Autores são jovens do sexo masculino

Considerando os ataques até abril de 2023, a pesquisa revela que 88% dos eventos foi cometido por apenas um autor. Na maioria dos casos, há uma relação direta entre o agressor e a instituição de ensino: 59% são alunos e 33% são ex-alunos. Apenas em 7% dos ataques, o autor não tinha nenhuma ligação com a escola. O estudo ainda verificou que todos os autores são do sexo masculino, com idade média de 16 anos.

Para o especialista em segurança pública, Luiz Felipe Sapori, uma das causas desse recorte de gênero é o bullying sofrido pelos meninos nas escolas. "Geralmente são meninos que passaram por experiencias de perseguição e exclusão na escola. Isso porque, normalmente, os jovem do sexo masculino são quem fazem mais bullying com os seus pares. Isso gera no jovem um trauma, que somado a outros traumas familiares, gera uma personalidade agressiva e um desejo de vingança", explica.

O relatório "O Extremismo de direita entre adolescentes e jovens no Brasil: ataques às escolas e alternativas para a ação governamental", citado no levantamento, cita a influência das redes sociais nos ataques. "Frustração sexual e raiva do mundo, dentre outros processos típicos da adolescência, são mobilizados em espaços de discussão online de extrema-direita onde muitos desses jovens se reúnem para desabafar das frustrações e confraternizar. Não à toa, mulheres são alvos frequentes de atiradores em massa", conclui.

Arma de fogo foi usada em 46% dos ataques

Ainda em relação aos ataques até abril de 2023, 46% foram realizados com arma de fogo e 42% com arma branca. Outros artefatos como armas de pressão, balestras e explosivos também foram utilizados. O estudo conclui que apesar do uso da arma de fogo estar praticamente equiparado ao da arma branca, o seu uso gera mais vítimas.

Para Sapori, o fácil acesso ao armamento oportuniza a ação dos agressores. "A disponibilidade de armas de fogo é apenas um elemento que oportuniza o cometimento do ato, mas não o determina. No caso de Poços de Caldas, por exemplo, o ataque foi realizado com uma arma branca. Não podemos dizer que a arma de fogo causa ataques deste tipo, mas é um fator de risco", explica o especialista.


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