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Como você estuda e aprende?

Aprender algo passa pela adoção de boas estratégias de estudo. Ensinar depende ainda mais disso

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Eu já tinha mais de 30 anos e estava em uma aula de pós-graduação, quando pela primeira vez, minha professora perguntou: como você aprende? Aquela pergunta me pareceu fácil de responder, porque, durante minha vida escolar inteira, fiz resumos bem esquematizados, cheios de setas, chaves, elementos que me ajudavam a lembrar daquele conteúdo para fazer uma prova.

O fantástico da pergunta não estava na resposta, mas na pergunta em si. Pela primeira vez, uma professora me questionava sobre meu processo mental e estratégias para aprender. Ao pensar mais sobre o assunto, lembrei que, quando criança, eu fazia de um jeito diferente: lia em voz alta e isso me ajudava a decorar. Pensando sobre isso, concluí que este método deixou de ser meu favorito, à medida que os conteúdos que eu precisava aprender se tornavam mais complexos.

Certamente, esta não é uma experiência só minha. Todos ouvíamos o tempo todo na escola que deveríamos estudar. Porém, poucos são aqueles que tiveram aulas sobre como estudar. Este deve ser um objetivo da escola da atualidade, considerando a quantidade de informações e a necessidade não mais de memorizar coisas, mas de organizá-las e saber o que usar para resolver um problema.

Um exemplo de uma aprendizagem da vida real super importante, e que não requer memorização, mas sim compreensão, é o de que não podemos interromper o tempo indicado para uso de um antibiótico, mesmo quando não temos sintomas. Isso porque sabemos que a bactéria precisa de uma dosagem específica, por um tempo determinado, para surtir efeito. Ou seja, não temos que saber o nome científico da bactéria ou todos os componentes químicos de um antibiótico, mas sim compreender um processo e isso não dá para decorar.

Compreender como a aprendizagem se dá, faz com que o ensino tenha foco no aprender e, portanto, no estudante. Por esse motivo, algumas práticas passaram a ser utilizadas por professores, como a aula invertida. Ao invés de um professor esgotar um tema em uma longa explicação oral, propõe uma atividade de leitura ou pesquisa para casa, a partir de uma boa questão que provoque curiosidade e interesse, ou seja, inverte a lógica. Na aula seguinte, a partir do conhecimento construído pelo estudante com suas estratégias pessoais de estudo, aprofunda o tema, podendo ser em uma atividade em grupos. Nos grupos, o professor observará, fará explicações individuais, ou a para toda a turma, não apresentando o tema, mas aprofundando. Durante uma prática assim, os alunos pesquisam, debatem, organizam, usam livros, computadores ou até mesmo celulares.

O entendimento que se busca fazer é: quanto mais estratégias acionamos para estudar algo, mais e melhor aprendemos. E você? Como estuda algo que precisa aprender?


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